Uma boa mentoria pode ser a solução

Pessoas bem-sucedidas parecem ter uma coisa em comum: em algum momento tiveram a ajuda de alguém na jornada rumo às suas realizações. O sucesso de um indivíduo nunca acontece sem que pessoas importantes contribuam para isto. Ainda vale a máxima que diz “ninguém faz nada sozinho”.

            Em termos de gestão de pessoas há três ferramentas capazes de promover o desenvolvimento e o aperfeiçoamento pessoal e profissional – coaching, mentoring e counseling. São termos, geralmente, utilizados em inglês que imprimem um certo status semântico, porém são tão velhos quanto a própria história.

            O mentoring, objeto de minhas considerações neste comentário, possui características peculiares que devem ser respeitadas quanto à sua aplicação. Apenas para diferenciar os três termos acima citados, o coaching é uma técnica que não exige que o coach seja um especialista na área do coachee (a pessoa atendida). O counseling, cuja tradução mais próxima seria aconselhamento, tem seu foco em questões pessoais do atendido, e por isso tem na espiritualidade uma de suas características mais distinguíveis. Já, o mentoring pede que o mentor possua expertise na área de atividade profissional do indivíduo a ser atendido.

            Comentei acima que o mentoring é tão velho quanto a própria história, agora gostaria de justificar esta colocação. A um episódio bíblico citado e comentado no meio acadêmico que remonta há 1.446 anos antes de Cristo (Bíblia da Reforma – pág. 98)). O livro do Êxodo registra um encontro entre Moisés e seu sogro. Moisés, como é sabido por todos, reunia em sua liderança competências sacerdotais como também de estadista. O episódio em questão diz respeito a forma como o líder hebreu realizava sua tarefa de comandante da nação. Diz a história que ele ficava desde manhã até a tarde atendendo sozinho a todas as demandas do seu povo.

            Seu sogro, vendo a forma como ele trabalhava, orientou-o a dividir aquela árdua tarefa com pessoas confiáveis. Isto é o que os modernos pensadores teorizaram a respeito de delegação. O conselho de seu sogro foi para que escolhesse chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez, dividindo com eles a tarefa de atender às pessoas, julgando as causas de menor importância. Moisés ficaria com as causas mais complexas, aliviando-o da sobrecarga de trabalho e ao mesmo tempo dividindo a missão de cuidar da nação com pessoas alinhadas aos valores e objetivos do líder.

            Onde entra a mentoria nesta narrativa? O episódio relatado encontra-se registrado no livro do Êxodo 18.13-27. No mesmo livro no capítulo 2.16 é possível constatar que o sogro de Moisés era sacerdote na região de Midiã. Aí temos a mentoria – Jetro, sogro de Moisés, possuía expertise em termos de liderança sacerdotal; justamente por isso pode ser seu mentor. Suas observações, análises e sugestões demonstravam conhecimento de causa.

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