SE VOCÊ NÃO IMPEDIR OS “MONSTROS SAGRADOS” VÃO SE CRIAR

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Quando desejamos rotular as pessoas que conquistaram poder e influência em determinados contextos, as chamamos de “monstros sagrados”. Estes “monstros sagrados”, devido a seu carisma, conquistam a atenção, o respeito e até o medo dos outros. A expertise de comando construída por eles é tão forte que mesmo seus líderes não tomam nenhuma decisão sem antes consulta-los, o que, sem dúvida, fortalece o poder deles.

Não se deve ignorar que estes ditos “monstros sagrados” são, na maioria das vezes, muito competentes em suas áreas de atuação; são, também, realizadores, exigentes, de quociente de Inteligência privilegiado, contundentes na hora de expressar suas opiniões. Pessoas que se tornam “monstros sagrados”, normalmente possuem um perfil dominante, ou seja, gostam e procuram o comando, são autoconfiantes em excesso, possuem uma autoimagem elevada a ponto de se perceberem, na maioria das vezes, mais fortes, mais certos e superiores aos demais.

Profissionais com este perfil comportamental são muito determinados, por isso podem produzir resultados de curto prazo para a empresa em que trabalham. Isto nos ajuda a entender o porquê das organizações manterem em suas equipes de trabalho, colaboradores dos quais os colegas reclamam tanto, haja vista o fato de serem a causa de muitos conflitos nas relações interpessoais.

Uma observação curiosa que se pode fazer sobre o surgimento dos “monstros sagrados” nas empresas, é que eles nascem, crescem e se fortalecem de forma gradativa. A questão a ser considerada é o perigo destes profissionais fazerem de reféns sua liderança, colegas de trabalho,  patrões, fornecedores e até mesmo clientes. Ainda que suas competências técnicas sejam inegavelmente eficazes, suas deficiências comportamentais podem gerar problemas de longo prazo, como por exemplo, piora do clima organizacional. A força de sua personalidade pode ser tão intensa que mesmo seus líderes reconhecendo o ponto fraco deles em termos de habilidades sociais, preferem mantê-los em seus quadros funcionais pelo fato de não acreditarem que conseguirão contratar outra pessoa tão capaz quanto o “monstro sagrado”.

Sem dúvida, o que determina o comportamento organizacional é a cultura criada e consolidada pela empresa. Há patrões que admiram os dominantes porque o perfil deles está alinhado, ou seja, se o perfil do patrão também é dominante, se ele fala o que pensa sem ponderar as consequências para o outro, se acredita que há uma única verdade em termos de obtenção de sucesso e que esta passa por este tipo de comportamento, então os “monstros sagrados” são os melhores funcionários que se pode ter.

Outro problema a ser considerado é que pessoas com perfil de personalidade dominante, não costumam estar abertas à opinião dos outros; eles simplesmente se sentem contrariados, uma vez que, sentem a necessidade de se impor. Em termos organizacionais ouvir as pessoas é premissa da boa gestão. Os resultados são mais satisfatoriamente alcançados, na medida em que todos os colaboradores se sentem parte do processo.

Entende-se que é melhor adotar medidas que evitem o surgimento dos “monstros sagrados”, porque se não for assim eles vão se criar. Evidentemente, deve-se ter cuidado para não sufocar os talentos da organização. Se a empresa possui líderes competentes, eles saberão o que fazer a fim de direcionar os potenciais humanos para a construção de uma cultura de competências (técnicas e comportamentais) voltada para os resultados.

Paulo Roberto de Araujo – Especialista em Gestão de Pessoas

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