“Era uma vez…”

GERACAO

Assim começam muitas estórias que embalaram nossos sonhos infantis. Elas não apenas nos divertiam, ou distraíam, mas também nos ensinavam. Muitas destas fábulas que nos encantaram foram criadas por pessoas que desconhecemos. Elas surgiram a partir de experiências do cotidiano e passaram a transmitir valores, conceitos, regras de conduta, fortalecendo culturas e estabelecendo paradigmas. Uma destas fábulas que se tornaram famosas e continuam, até hoje, encantando gerações é a dos Três Porquinhos. Apenas como nota, vale comentar que ela foi difundida a partir do século XVIII por Joseph Jacobs, porém sua origem remonta a tempos muito mais antigos.

E por falar em gerações, que tal fazermos uma analogia da fábula dos Três porquinhos com o mundo corporativo? Veja se você aprova.

“Era uma vez três gerações que trabalhavam em uma mesma empresa. Todas elas precisavam sobreviver, necessitavam obter êxito em suas atividades e construir algo significativo. A mais velha chamava-se Baby Boomer. Nascida após a II Guerra Mundial, fazia o máximo possível para se manter empregada; preferia a estabilidade. Gostava mais de ser reconhecida e valorizada por sua experiência do que pelo espírito inovador. Seus contemporâneos eram chamados de grupo do “paz e amor” e tinham como característica aversão aos conflitos armados. Preferiam a música, as artes, e todas as outras formas de cultura como instrumentos para a evolução humana do que as guerras. Devido a sua experiência, Baby Boomer, ocupava um cargo de direção na empresa. Por causa de seu perfil fortemente conservador, ela tinha dificuldade de relacionamento com suas colegas.

A geração intermediária chamava-se X e era classificada como imigrante digital. Nascida em meados dos anos 1970 seu grande desafio era adaptar-se às novas tecnologias. Desde o início se mostrou resistente a acreditar que máquinas poderiam substituir a mão-de-obra humana, sobretudo nas atividades operacionais. X era muito insegura; tinha medo de perder o emprego. Pressionada pelos novos tempos organizacionais precisou voltar aos bancos escolares. Se viu diante da necessidade de adquirir novas competências. Se não fizesse isto perderia espaço na empresa e não conseguiria construir uma carreira mais sólida.

A geração, mais recentemente contratada chamava-se Y. Y sempre foi inquieta, agitada, gostava de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Nascida no início dos anos 1990, dominava as novas tecnologias com muita facilidade. Seu perfil dinâmico e em constante movimento, faziam com que Baby Boomer e X se sentissem incomodadas ao vê-la ouvir música, navegar na internet e ler aos e.mails, tudo, ao mesmo tempo. Y nunca escondeu que não pretendia ficar mais do que quatro ou cinco anos na empresa. Ela preferia inovações constantes, não tinha medo de correr riscos e sabia que tinha potencial para muito mais. Y sempre detestou a rotina.

Certo dia, o “lobo mau” dos tempos de crise bateu à porta das três gerações. A primeira a ser atacada foi Baby Bommer, que depois de quase trinta anos de empresa foi demitida. Desolada, sem saber muito bem o que fazer, saiu correndo pelo mercado de trabalho tentando conseguir uma recolocação. Inútil. Baby Boomer estava velha demais para as pretensões das empresas modernas. Sem alternativa, decidiu aposentar-se e passou a oferecer serviços de consultoria, usando como argumento sua larga experiência empresarial.

A segunda a ser vítima do “lobo mau” dos tempos de crise foi X. X se sentiu traída. Em sua auto avaliação considerava-se imprescindível. Afinal, tinha experiência, maturidade e juventude para realizar mais. No entanto, “lobo mau” foi implacável. Depois de quinze anos trabalhando na mesma empresa não sabia o que fazer. Enviou alguns currículos e até contratou a uma agência de head hunters, porém sem sucesso. Decidiu, então, usar o dinheiro que recebera do acerto para abrir um negócio próprio. Iria tentar a vida como empresária.

A terceira, geração Y, não se sentiu nem traída, nem preterida; na verdade, após quatro anos na mesma empresa, achava que estava em tempo de alçar novos voos profissionais. Quando “lobo mau” a comunicou de sua demissão ficou tão satisfeita que chegou a agradecer a ele por tê-la dispensado. Inclusive, confessou às colegas que se sentia aliviada. Depois de quatro anos achava a empresa muito devagar em seu processo inovador. Y tinha sonhos, juventude e novos tempos para viver. Enquanto suas colegas correram para o mercado de trabalho tentando salvar o que restou de suas carreiras, Y correu para a garagem de sua casa. Lá abriu uma startup e hoje ganha muito dinheiro com entretenimento na internet. ”

Paulo Roberto de Araujo. Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas.

Para saber mais acesse: www.abibliaeagestaodepessoas.com.br

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One Comment on ““Era uma vez…””

  1. Muito bom o artigo. na prática os limites das três gerações não são tão bem definidos, conheço Babys com perfil de Y e Y com perfil de Baby. Mas no geral é assim mesmo.
    Abraço.

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