Colaborador C.H.A.V.E.

“Quem tem competência se estabelece”; esta é uma frase bastante utilizada quando se quer definir ou explicar o sucesso profissional de uma pessoa. De fato, ser competente é indispensável para alguém que pretende construir uma carreira estável e bem remunerada. Porém, as competências são muitas e diversas e estão associadas a fatores internos e externos ao indivíduo. As características de personalidade, por exemplo, bem como as motivações que as acompanham, como também os aspectos ligados ao contexto social, entre outros, influenciam a construção das múltiplas competências.

Algumas delas são mais desejadas pelas empresas, pois impactam de forma direta os resultados almejados. Sem dúvida, as que dizem respeito ao preparo técnico do colaborador encabeçam a lista de prioridades. No entanto, há um tipo de competência que tem sido objeto de atenção especial por parte dos empregadores: a competência comportamental. Muita gente competente tecnicamente está perdendo o emprego por ser incompetente como pessoa.

Mas, como se define competência? Nos bancos acadêmicos aprende-se que uma competência é constituída por três aspectos relevantes: conhecimento, habilidade e atitude; as letras iniciais destas palavras formam o C.H.A., palavra que está associada a outro elemento conhecido e por isso ajuda a lembrar estes aspectos. Para que um colaborador seja avaliado como competente, é imprescindível que possua amplo conhecimento da atividade que realiza (é o saber teórico). Que possua, também, as habilidades necessárias para a execução eficiente do trabalho (é o saber fazer) e que acrescente às primeiras a atitude (a decisão de fazer), sem a qual não é possível obter a eficácia, ou seja, o resultado desejado.

Contudo, o C.H.A não é suficiente para atender o que de fato se espera de um colaborador ideal, em termos comportamentais. Vejamos: um traficante que atua nos morros do Rio de Janeiro, por exemplo, é um sujeito competente quando levamos em conta os três aspectos citados acima. Ele possui grande conhecimento de sua atividade; possui, também, muita habilidade no que faz e, sem dúvida, tem atitude no que diz respeito a expandir “seus negócios”. E se considerarmos o escândalo da Petrobrás? Os atores envolvidos se mostraram muito competentes em suas ações ilícitas. Provaram ter grande conhecimento dos esquemas de propinas; demonstraram ter habilidade na manipulação dos meios necessários para obter vantagens e, certamente, atitude não faltou a eles, já que mostraram uma disposição desmedida a fim de se manterem beneficiados pelas falcatruas que armaram.

O que, então, diferencia o colaborador competente dos demais? O tipo de atividade? Sim, sem dúvida. Porém, quero acrescentar mais duas letras ao C.H.A. e transformá-lo em C.H.A.V.E, ou seja Conhecimento, Habilidade, Atitude e Valores Éticos. Para ser considerado competente em termos comportamentais, o profissional precisa se pautar por um conjunto de valores essenciais, como por exemplo: habilidades sociais desenvolvidas, equilíbrio emocional, respeito às diferenças individuais, senso de justiça apurado, entender o trabalho como uma atividade produtiva necessária ao desenvolvimento do país; capaz de honrar os compromissos que assume, humildade, compaixão, espiritualidade sadia e equilibrada, pensar coletivamente, respeito à hierarquia, cumprir as leis, valorizar mais o humano do que o material, temer a Deus e amar ao próximo. Você, caro leitor, pode acrescentar outras que julgar importantes.

O colaborador C.H.A.V.E. pode ser preparado desde que nasce, isto se tiver “berço”. Se o núcleo familiar estiver suficientemente estruturado poderá criar condições favoráveis para o desenvolvimento de ótimas pessoas. Com isto todos ganham: a família que pode se orgulhar da pessoa que gerou; a escola que poderá se preocupar mais com a formação educacional do que com a moral; a empresa que terá mais e melhores opções em termos de seleção de pessoal; a sociedade que não precisará formular tantas leis para se dizer o que pode e o que não pode fazer e o próprio indivíduo que não terá jamais que se arrepender por fazer o que é certo.

Paulo Roberto de Araujo – Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas.

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