Artigo Científico

RAÍZES HISTÓRICAS DA INFLUÊNCIA DO PROTESTANTISMO NO SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO

Paulo Roberto de Araujo¹

Patricia Viera²

 

 

            Resumo

 

Entender os aspectos religiosos, os quais constituem elementos integrantes na formação da cultura dos grupos sociais, é indispensável. Conhecer e compreender de que modo uma religião pode influir na formação educacional dos membros deste grupo, é necessário para que se possa identificar seus valores morais e, por conseguinte, comportamentais. O protestantismo é uma realidade histórica. Forma de religiosidade presente em diversas nações comprova que não é um movimento restrito a um território, ou a uma espécie específica de cultura, mas uma forma de ver o mundo e interpretar o ser humano e se relacionar com a espiritualidade. Sua ingerência e poder de influência no sistema educacional comprovam que suas bases formadoras estão calcadas no conhecimento de várias ciências. Também, seus líderes parecem saber construir competências, na medida em que aliam o conhecimento às habilidades e a atitudes empreendedoras, sempre com fim de expandir sua fé e agregar adeptos. Para isto estão preparados para atuar nos sistemas educacionais como professores e produtores de conhecimento.


Palavras-chave: Protestantismo. Educação. Religião. Influência. Escola. Missões. Brasil.

 

1 INTRODUÇÃO

            O presente artigo tem como objeto de investigação a influência do protestantismo no sistema educacional brasileiro. A metodologia adotada para este trabalho foi a pesquisa bibliográfica exploratória. Haja vista o significativo crescimento do movimento protestante no Brasil através da expansão das igrejas evangélicas e o constante e intenso número de pessoas que aderem a elas, muitos questionamentos com fins analíticos se pode fazer. Neste caso, a dúvida a ser sanada é: De que maneira o protestantismo influenciou o sistema educacional brasileiro? Qual o impacto das missões protestantes estrangeiras na educação brasileira? Que evidências denotam esta influência e este impacto?

Ao longo do artigo é buscada a raiz histórica do protestantismo a fim de compreender seus ideais desde o nascedouro. O objetivo também é conhecer e entender seu pensamento, suas bases teológicas e os aspectos motivacionais para a difusão de suas convicções. Procura-se saber como, porque, quando e aonde este movimento encontrou maior receptividade.

Por intermédio da pesquisa bibliográfica exploratória irá se comprovar de que maneira o movimento protestante chegou ao Brasil e qual foi sua influência e impacto no sistema educacional brasileiro.

Não há, neste artigo, a pretensão ou desejo de discutir teologias, doutrinas, ou fazer juízos de valor com respeito a atuação das igrejas evangélicas, nem de seus missionários e pastores, em solo brasileiro. O objetivo é, sim, comprovar que o movimentou protestante fincou raízes tanto religiosas, quanto sociais, como também e principalmente, conforme o objeto deste artigo, educacionais no sistema brasileiro. Raízes estas que perduram até aos dias atuais.

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¹ Especialista em Gestão de Pessoas. E mail: praprofessor @ig.com.br

² Doutora em Educação: E.mail:pviera@ude.edu.uy

 

 

 

2 PROTESTANTE: ORIGEM DO TERMO

As igrejas cristãs não ligadas à matriz religiosa do catolicismo romano, normalmente chamadas de evangélicas (uma alusão à crença nos fundamentos doutrinários expostos nos evangelhos) são tidas como oriundas do protestantismo. Cabe aqui elucidar que, sem ter a pretensão de explicitar em detalhes, a aplicação desta designação tem sido feita de forma incorreta, quando busca nominar para fins de diferenciação católicos romanos de evangélicos.

O termo protestante surgiu como apelido pejorativo para o grupo de príncipes eleitores e cidades imperiais alemãs que se atreveram a expressar seu protesto, na Dieta de Speyer de 1529, contra o Édito de Worms que proibia crer e ensinar as doutrinas luteranas naquelas localidades do Sacro Império Romano-Germânico, onde ainda não eram conhecidas. Também concedia completa liberdade ao clero romano para rebatê-las e persegui-las nas localidades do império onde já haviam sido implantadas. Protestantismo também pode ser entendido como a denominação que abrange o conjunto das igrejas cristãs e doutrinas que se identificam com as teologias desenvolvidas no século XVI na Europa Ocidental, na tentativa de reforma da Igreja Cristã Ocidental (Católica), por parte de um importante grupo de teólogos e clérigos, entre os quais se destaca o monge agostiniano Martinho Lutero, de quem as igrejas luteranas tomam o nome.

 

3 RESGATE HISTÓRICO

 

3.1 A EXPOSIÇÃO DOS IDEIAIS DE LUTERO

A partir das idéias e ideais do monge Martinho Lutero, de reformar a matriz religiosa do Catolicismo Romano no século XVI, muitos grupos religiosos cristãos que viviam à margem do sistema religioso imposto e regido pela Igreja de Roma, puderam manifestar-se, em princípio, dando apoio a Lutero.

O movimento idealizado por Martinho Lutero ganhou força a partir da exposição de suas noventa e cinco teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg. Nelas Lutero atacava vários dos princípios fundamentais da teologia escolástica e esperava que a publicação dessas teses e o seu posterior debate, seria uma oportunidade de dar a conhecer ao resto da igreja sua descoberta.  Nas palavras de Gonzalez (1994, p. 54):

Porém, ao mesmo tempo, essas noventa e cinco teses, escritas acaloradamente com um sentimento de indignação profunda, eram muito mais devastadoras que as anteriores, não porque se referissem a tantos pontos importantes da teologia, mas porque punham o dedo sobre a chaga do ressentimento alemão contra os exploradores estrangeiros.

A partir desta manifestação pública de seus pensamentos reformistas, Lutero conquistou o ódio do clero romano e a admiração da realeza, da nobreza, de outros que compartilhavam de sua visão reformadora, porém não tinham ido tão longe quanto ele, como também da sociedade em geral que buscava uma libertação do domínio e ingerência da Igreja Católica Apostólica Romana nos assuntos nacionais.

Para melhor compreender a maneira pela qual o protestantismo influenciou o sistema educacional, não só no Brasil, mas em muitos países do mundo, é importante destacar alguns pontos da teologia de Lutero. Primeiro, Lutero não foi nem o individualista nem o racionalista que muitos desejam. Durante o século XIX, quando o individualismo e o racionalismo se fizeram populares, muitos historiadores deram a impressão de que Lutero havia sido um dos precursores de tais correntes. Isto ía frequentemente unido com o intento de mostrar a Alemanha como a grande nação, mãe da civilização moderna e de tudo quanto há nela de valioso. Lutero se converteu então no grande herói alemão fundador do modernismo. Segundo, ele defendia uma clara separação entre Igreja e Estado. Conforme sua visão, estes dois reinos não se opunham nem se completavam, apenas operavam em instâncias diferentes.

 

4 O PROTESTANTISMO NO BRASIL

 

Para melhor investigar o tema proposto e identificar em que dimensão o protestantismo influenciou o sistema educacional brasileiro, faz-se necessário resgatar sua história em solo brasileiro. A Implantação do protestantismo no Brasil data do período de 1808 a 1889 e tem profundas raízes e vínculos com a Grã-Bretanha, a Alemanha e os Estados Unidos da América.

A partir do predomínio dos ideais republicanos no Brasil, tanto do ponto de vista religioso como filosófico, a base da República foi o positivismo de Augusto Comte (1798-1857). O comtismo era profundamente diverso tanto do protestantismo como do catolicismo, porém, sua crença no progresso e na evolução social, apresentava aparentes afinidades com o protestantismo; e imediatamente aprovaram-se leis que acabavam por favorecer os protestantes, como as do casamento civil, e da separação entre Igreja e Estado.

4.1 INFLUÊNCIA DA GRÃ-BRETANHA

O setor mais atuante da Igreja na Inglaterra, a Igreja dominante, era a ala evangélica, que muito devia ao movimento metodista. Os evangélicos deram as mãos aos não-conformistas (protestantes que não faziam parte da igreja oficial, como Congregacionais, Presbiterianos e Batistas) para estabelecer uma rede de sociedades voluntárias, desde a Sociedade Missionária de Londres (interdenominacional, mas principalmente congregacional, 1795), a Sociedade Missionária da Igreja Anglicana, (da igreja “baixa”1799), a Sociedade de Tratados Religiosos (interdenominacional, 1799), a Sociedade Bíblica Britânica (1804), e até as sociedades para a promoção da educação popular, como a Sociedade Educacional Britânica e Estrangeira (para a promoção do sistema lancasteriano de educação), para mencionar apenas algumas, principalmente as que também atuaram no Brasil.

Para que se possa compor a compreensão das relações existentes entre o protestantismo e sua instauração em solo brasileiro, sob a influência da Grã-Bretanha, vale destacar que no século XIX na Inglaterra, a maioria dos ingleses, quer anglicanos, quer não-conformistas, tinha como inquestionáveis: que as leis comerciais, como leis naturais eram leis de Deus, e, portanto, intocáveis.

Os excessos da Revolução Francesa fizeram atrasar certas reformas urgentes tanto na igreja como na nação inglesa. Em 1828, porém, aboliram-se as Leis de Provas e de Corporações, possibilitando assim aos não-conformistas o acesso à Câmara dos Comuns e à maioria dos cargos públicos. Já em 1832, a reforma de representação parlamentar resultou na transferência do poder político para as mãos da pequena nobreza e da classe média, o que também aumentou o poder do não-conformismo, o qual, a esta altura, já crescia e se consolidava rapidamente. Os congregacionais, com sua eclesiologia voltada para a igreja local, chegaram a se organizar em uma união que abrangia a Inglaterra e o País de Gales. O crescimento batista foi espetacular. Em 1801, havia 652 edifícios batistas na Inglaterra; em 1851, 2.789. Em 1891, os batistas particulares (calvinistas) e gerais (arminianos) se uniram em uma só igreja, e esta estabeleceu em Londres a sua “Câmara Batista” (1903). Os presbiterianos, em número bem menor na Inglaterra (sua força se localizava na Escócia e no norte da Irlanda), constituíram sua igreja em 1876 na Inglaterra e, no País de Gales, receberam importantes reforços pela adesão dos metodistas calvinistas. Os metodistas wesleyanos melhoraram o nível de preparo dos seus ministros, mas a aspiração de mais democracia na igreja resultou na sua divisão em diversos grupos.

A primeira capela anglicana no Brasil foi inaugurada em 26 de maio de 1822. Conforme o Artigo XII do Tratado do Comércio e Navegação, acordado entre Portugal e Inglaterra, os ingleses teriam plena liberdade de culto em território brasileiro:

XII. Sua alteza, o Príncipe Regente de Portugal, declara, e se obriga no seu próprio nome, e no de seus herdeiros e sucessores, que os vassalos de Sua Majestade Britânica, residentes nos seus territórios e domínios, não serão perturbados, inquietados, perseguidos, ou molestados por causa de sua religião, mas antes terão perfeita liberdade de consciência e licença para assistirem e celebrarem o serviço divino […]

Sendo a Inglaterra o berço da Revolução Industrial, a partir de meados do século XVIII, influenciou e modificou o processo produtivo em escala mundial. Este conjunto de mudanças tecnológicas e sociais afetou as relações comercias entre os países. O mundo viu nascer uma nova era de desenvolvimento, a formação de grandes corporações, as novas relações entre capital e trabalho e profundas mudanças sociais que afetaram o perfil das cidades.

Os protestantes estavam inseridos neste contexto. Inclusive muitos detentores do capital e dos meios de produção eram seguidores do protestantismo e viam uma harmoniosa relação entre a fé que professavam e os ideais capitalistas, uma vez que o lucro não era mau em si mesmo, mas sim uma forma de prosperidade legítima, sob as bênçãos de Deus. Esta forma de pensar, de ver o mundo, de conceito e de entender e interpretar os atos vieram para o Brasil com os ingleses e foram difundidos a partir das escolas fundadas por eles em território nacional; tema que será ampliado neste artigo, mais à frente.

4.2 INFLUÊNCIA DA ALEMANHA

A Alemanha berço das ideias reformistas e do movimento protestante, tem na obra de Martinho Lutero sua grande representatividade. Após traduzir a Bíblia para o idioma alemão e sua posterior impressão na máquina criada por Guttemberg, Lutero, definitivamente colocou a Alemanha no cenário religioso mundial. A Igreja cristã sofreu várias modificações e ajustes em território alemão, até estabelecer-se em meados do século XIX. A influência das idéias, conceitos e valores da religião luterana que se farão sentir no Brasil a partir da imigração alemã, sobretudo com assentamento na região sul, terá seus reflexos nos sistemas de produção, na economia e na sociedade brasileira em geral.

A primeira leva de imigrantes alemães radicou-se em Nova Friburgo, em 3 de maio de 1824, formando colônia de 334 imigrantes acompanhados de seu pastor, Friedrich Oswald Sauerbronn (1784-1864). A parte preponderante da imigração alemã, no entanto, se radicou nas províncias do sul, particularmente no Rio Grande do Sul.

4.3 A INFLUÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

A grande maioria dos missionários protestantes que atuaram no Brasil veio dos Estados Unidos da América, país preponderantemente protestante. Não ofereceram nenhum produto rotulado “denominacionalismo” e nem “cristianismo norte-americano”, mas vieram como emissários da Igreja Presbiteriana, Metodista, Batista ou outra denominação.

A forte influência do protestantismo inglês sobre a formação das colônias na América do Norte, sobretudo dos puritanos, é percebida e reconhecida na própria Constituição Norte Americana, quando estes foram convidados a elaborarem a carta magna dos norte-americanos. Na moeda oficial dos Estados Unidos, o dólar, pode-se encontrar a inscrição “In God we trust” (Nós confiamos em Deus), sinal da evidente influência protestante na economia e sua relação com os aspectos comerciais.

A educação, como estratégia missionária, nunca deixou de acompanhar os missionários norte-americanos. Os missionários desempenhavam sempre duplo papel de evangelistas e professores, não se esquecendo, porém, as empresas missionárias, de incluir no seu pessoal especialistas em educação, principalmente mulheres. Algumas destas conquistaram reconhecimento na educação brasileira, como Carlota Kemper, Márcia Brown e Martha Watts.

Os colégios americanos eram abertos a todas as formas confessionais religiosas. Não há dúvida de que as missões americanas prestaram algum serviço multiplicando as instituições de ensino a um tempo em que ainda eram pouco numerosas. Os primeiros destes colégios foram iniciativas particulares. O Rev. G. Nash Morton organiza, em 1869, em Campinas, o seu Colégio Internacional, o qual abandona, em 1879, para abrir em São Paulo, o Colégio Morton, que teve como discípulos os filhos da alta aristocracia paulista.

Mas, em São Paulo, já havia uma “Escola Americana” de origem também estritamente individual. Começara modestamente, em 1870, com aulas particulares que a esposa do missionário Chamberlain ministrava em sua própria casa. Júlio Ribeiro, que futuramente se tornaria conhecido como romancista, tornou-se um de seus mestre-escolas, nascendo dali uma instituição que, no ano seguinte, manteria cursos regulares, sob a direção de uma professora americana.

Em 1876 a “Escola Americana” instalou-se em dependências apropriadas, na esquina das avenidas São João e Ipiranga. E o cuidado de seus fundadores em não restringí-lo apenas ao meio protestante evidencia no fato de não buscarem somente professores protestantes, mas haverem convidado para o seu corpo docente o jornalista Rangel Pestana, do Estado de São Paulo, e o poeta Teófilo Dias. Quando, em 1878, D. Pedro II passou por São Paulo, deteve-se em visita àquela escola declarando a sua satisfação, muito embora como partidário de um ensino estritamente leigo, lamentasse o sentido religioso que ali se emprestava à educação.         A 4 de Julho de 1885, a Escola Americana lançava a pedra fundamental de seus edifícios próprios; e foi Rui Barbosa, convidado para presidir aquela solenidade. Mais tarde, já ao final do século XIX esta Escola iria mudar seu nome para Mackenzie, tornando-se posteriormente em uma das mais destacadas Universidades brasileiras.

4.4 OS PROTESTANTES E A ESCOLAS

Na visão das igrejas protestantes a melhor maneira de se fazer missões no Brasil era atuar onde havia maior carência de atenção. A educação constituiu-se, então, num dos importantes níveis da estratégia missionária. A introdução da educação protestante na sociedade brasileira, na segunda metade do século XIX, se deu ao mesmo tempo à pregação dos primeiros missionários, isto é, com a organização das primeiras igrejas já se implantaram as escolas paroquiais. Como estimular a leitura da Bíblia, revistas e jornais, instrumentos de difusão da fé protestante, sem antes alfabetizar as pessoas?

O sistema escolar durante o período imperial apresentava notável fraqueza, especialmente quanto à sua extensão. Não conseguia alcançar todas as crianças em idade escolar. A zona rural era, naturalmente, a mais prejudicada. Como a vida urbana era menos intensa do que a rural, compreende-se porque essa carência educacional atingia na classe dirigente elevado grau de preocupação. Ocorre, que a infiltração do protestantismo deu-se principalmente na zona rural, bairros, sítios e fazendas.

O primeiro aspecto interessante dessa educação protestante é o magistério feminino. Os historiadores, principalmente os presbiterianos e os metodistas, registram a chegada anual de várias missionárias educadoras. São mesmo dezenas delas nos primeiros anos da atividade missionária, isto é, nos últimos trinta anos do século XIX, tornando-se algumas delas notáveis mesmo fora do âmbito exclusivamente protestante. Entre outras coisas, é pertinente perguntar até que ponto o contraste entre as escolas protestantes e a educação tradicional brasileira não influiu na modificação gradual das disciplinas.

Os historiadores protestantes são unânimes em afirmar que os métodos americanos eram superiores aos tradicionais usados no Brasil. Essa opinião parece ser confirmada pelo fato de miss Marcia Brown ter sido chamada pelo governo para participar de uma reforma do ensino primário no Estado de São Paulo, junto com outra educadora brasileira que se preparara nos Estados Unidos.

O que era ensinado nas escolas paroquiais e nos cursos elementares dos colégios divergia dos currículos em voga na escola tradicional. Nota-se a introdução de várias novidades no ensino elementar, como regras da arte literária, ciências, recitação de poesias em português, francês e inglês, execuções musicais, canto ao piano, etc. O uso da Bíblia como livro texto nas escolas protestantes aparece com freqüência nos registros dos historiadores.

Os currículos destes colégios possuíam uma certa ênfase pragmatista de cunho científico-tecnológico. A chave estava nos objetivos que orientavam a prática educativa e procuravam encaminhar os educandos para a aceitação de uma maneira nova de ver a realidade, especialmente a valorização da natureza e do trabalho. O sistema educacional brasileiro em fins do século XIX, que se debatia permanentemente com idéias de reforma por causa das suas precárias condições, pode ser dividido em religioso (católico) – forte e tranqüilo – e leigo (oficial) – fraco em todos os sentidos.

O protestantismo trazido pelas missões americanas para o Brasil já não era o original da reforma. Sofrera, no seu transplante para o solo norte-americano, mutações oriundas do amálgama das múltiplas correntes protestantes que floresceram na Europa a partir do século XVII. De modo que, diante da ideologia que se forma paulatinamente a partir da independência política norte-americana, vai surgir um protestantismo teologicamente indiferenciado, com ênfase na salvação individual, embora guardasse limites de suas respectivas formas de governo eclesiástico. Assim, no bojo das missões protestantes e expressas na pregação religiosa e, especialmente, na educação, vinham o liberalismo, o individualismo e o pragmatismo.

Um dos mais renomados médicos sanitaristas brasileiros, Dr. Vital Brasil, estudou em uma das escolas paroquiais presbiterianas. Conforme relatos históricos, além de seu trabalho voltado a combater a febre amarela e a peste bubônica no Brasil, Dr. Vital criou uma das primeiras e escolas do Brasil que alfabetizavam crianças durante o dia e adultos à noite.

Em meados do século XIX surge um movimento que buscava uma espécie de nacionalização do protestantismo no Brasil. Um de seus mais ilustres representantes foi Eduardo Carlos Pereira, convertido ao presbiterianismo no tempo em que terminava seus estudos em um colégio suíço de Campinas. Transferindo-se este colégio para São Paulo, ele, já tornado um de seus professores, veio ter à capital onde iniciou a sua carreira de magistério, a qual sempre exerceu ao lado do ministério religioso. Pereira influenciou significativamente o meio educacional por intermédio de suas conceituadas obras, como por exemplo, Gramática Expositiva e Gramática Histórica da Língua Portuguesa.

4.4.1 Os Metodistas

O metodismo como movimento, tem sua origem em John Wesley (1703-1791) ministro da Igreja da Inglaterra e que fora aluno da Universidade de Oxford. Isto explica e justifica o fato do metodismo considerar de máxima importância a instrução do povo. A partir de 1739, Wesley organizou pequenos grupos de pessoas que buscavam uma fé mais existencial e atuante, segundo a trajetória pietista.

O primeiro grupo de metodistas a ser organizado no Brasil aconteceu no Rio de Janeiro e durou de 1836 a 1841. Partindo de Nova York, Justin Spaulding e sua família chegaram ao Rio de Janeiro em 29 de abril de 1836, após uma viagem de 37 dias. Começando com um pequeno grupo reunido, Spaulding organizou uma pequena escola dominical, a primeira do Brasil, e projetou uma escola diária, antes de completar um mês de permanência no Brasil. O primeiro missionário da Igreja Metodista Episcopal do Sul (IMES), John James Ransom, que esteve no Brasil durante o período compreendido entre 1876 e 1886, lutou pela fundação do primeiro educandário metodista, na cidade de Piracicaba, São Paulo em setembro de 1881.

Marta Watts foi missionária da Junta Missionária Feminina da IMES, empenhada no trabalho com mulheres e crianças. Assim, ela fundou em Piracicaba, a 13 de setembro de 1881, uma pequena escola para educação das jovens brasileiras. Mais tarde, o Colégio viria a admitir também rapazes e, em 1975, a obra se completou com a fundação da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), a primeira universidade da denominação no Brasil. O Jornal A Gazeta de Piracicaba publicou a seguinte matéria em fins do ano de 1881.

[…] “O benefício do ensino proporcionado por aquela instituição é real; todos os pais devem se convencer desta verdade e as suas filhas devem ser encaminhadas para receber uma educação sólida, baseada em princípios seguros, de acordo com o progresso dos tempos […]

E ainda:

“Numa das salas do edifício e com grande concorrência de família e cavalheiros dos mais distintos da nossa sociedade, foram examinadas alunas em diversas matérias, como seja: português, francês, inglês, aritmética, álgebra, história e retórica. O adiantamento que todas mostraram naquelas disciplinas chegou a surpreender as muitas pessoas que estavam presentes. Não trepidamos em afirmar que é um dos melhores estabelecimentos de ensino do Estado de São Paulo” (27/12/1890).

João da Costa Corrêa, natural de Jaguarão, RS, tido como o primeiro pregador metodista brasileiro, que veio a tornar-se ministro da Igreja metodista Espiscopal, fundou uma congregação, inicialmente com seis membros, na cidade de Porto Alegre, RS, onde com a colaboração da professora Carmem Chaccon, fundou também o Colégio Americano, em 19 de outubro de 1885. Conforme relato de Corrêa, o colégio foi inaugurado com apenas três alunos e ao final do ano chegou a oito. O número de alunos caminhou em um crescente, sendo que ao final de 1886 contava com 187 crianças de ambos os sexos. Durante o ano teve início uma escola noturna para mulheres pobres, chegando a um total de 84 matrículas. João da Costa Corrêa, relata:

[…] “É nos grato mencionar aqui, que presentemente existe numa das povoações perto da Capital uma dessas alunas dirigindo uma escola pública, havendo tido a primeira parte dos seus estudos em nossa humilde escola, conservando ela ainda as impressões recebidas na prática dos nossos trabalhos evangélicos.”

Dr. Hugh Clarence Tucker (1857-1956), missionário metodista e por muitos anos secretário da Sociedade Bíblica Americana, era homem apaixonado pelo serviço ao semelhante. Em sua autobiografia ele cita que no salão alugado em que desenvolvia suas atividades, graças à colaboração do presidente de uma grande empresa de serviços públicos, acrescentou às suas instalações uma escola diurna, noturna e um jardim de infância. Outras atividades foram agregadas como aulas de arte e culinária, costura, datilografia, enfermagem e educação física.

Ainda durante a vigência do regime militar, perpetrado a partir do Golpe de 1964, os metodistas decidiram entrar com decisão na educação superior. Na década de 1970, em meio à explosão da população universitária quase todos os seus principais colégios criaram faculdades; no campus da antiga Faculdade de Teologia surgiu o Instituto Metodista de Ensino Superior; o mais antigo educandário metodista passou a ser uma universidade: a Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), que celebrou seu centenário em 1981.

Com respeito à sua atuação no sistema educacional, os metodistas buscaram diretrizes voltadas aos aspectos sociais. Ainda nos anos setenta, importante documento tratando sobre o estabelecimento de uma filosofia educacional foi redigido. Abaixo alguns tópicos principais:

“A educação é um dos instrumentos de transformação social […] As           instituições de ensino apresentam propostas inovadoras e humanizantes […] A visão teológica missionária […] estava comprometida com a opção política liberal, em sua proposta de democratização e liberalização da educação brasileira. A medida em que o processo social brasileiro assume características liberais e capitalistas, se evidencia que os objetivos propostos pelos missionários não são realizáveis. Neste contexto, o processo educacional […] passa a ser mero reprodutor da educação oficial,[…]

A escola metodista teve seu lugar na história e contribuiu para o desenvolvimento do ensino em nosso país como um tipo de educação alternativa ao rígido sistema jesuíta e governamental. Conforme relatado no documento supracitado:

[…] chegou o momento de romper, embora gradativamente, com este compromisso que a manteve relacionada a uma educação baseada em pressupostos do capitalismo liberal e por isto mesmo privilegiadora das elites dirigentes. O sistema educacional brasileiro é também elitista e visa a conservar o status quo, impondo a cultura da classe dominante à classe popular e aumentando cada vez mais o seu nível de dependência.

4.4.2 Os Congregacionais

A obra congregacional no Brasil, a primeira “Igreja de missão” que conseguiu lançar raízes permanentes em solo brasileiro, foi iniciada pelo Dr. Robert Reid Kalley (1809-1888) e sua esposa Sarah Poulton Kalley (1825-1907). Dr. Kalley era médico e empreendeu esforços para poder exercer amplamente seus ritos religiosos, inclusive de clinicar no Brasil, chegando a consultar importantes juristas brasileiros. Sua maior influência está nas relações sociais que construiu com a aristocracia brasileira, no intuito de comunicar a fé cristã protestante aos brasileiros. Seu posicionamento com respeito à escravidão era de ser contrário a esta prática, redigindo, inclusive importante documento onde defende o direito à propriedade e a alfabetização dos negros.

4.4.3 Os Presbiterianos

Em 1859 o presbiterianismo chegou ao Brasil por intermédio do jovem pastor Ashbel Green Simonton, que aportou no Rio de Janeiro em 12 de agosto. Durante os oito anos em que atuou em terras brasileiras, ele e sua equipe acumularam sucessos, entre eles a fundação do primeiro jornal evangélico no Brasil, a Imprensa Evangélica, em 05/11/1864. Órgão de comunicação que se tornou importante aliado na divulgação não apenas da denominação Presbiteriana, mas também nas concepções protestantes.

A Igreja Presbiteriana estabeleceu suas marcas também na educação de brasileiros através da implantação de instituições de ensino, onde além da instrução básica também divulgou a fé evangélica. Escolas desde o ensino básico até o superior foram criadas pela Igreja. Presbiterianos lecionaram em instituições de ensino público semeando as idéias e ideais protestantes.

Os missionários norte-americanos presbiterianos fundaram na cidade de Curitiba, capital do Estado do Paraná, a Escola Americana de Curitiba. O The Brazilian Bulletin, de 1898, assim se referiu à Escola:

“Percorramos as grandes salas de aula, altas, arejadas, bem iluminadas, enfeitadas com quadros interessantes, colhidos de muitos lugares. Da varanda, podemos apreciar as brincadeiras no quintal[…] Vocês têm  interesse de escutar as aulas? Alemão, com a graciosa e competente fraulein Mathilde; francês e português com o sr. Raposo. E inglês, matemática, história, geografia,[…]

O ministério presbiteriano tinha um caráter muito diverso. Não era somente pela preparação tão cuidadosa quanto possível de seus pastores e pelo caráter mais “burguês” que a ele se imprimia, mas ainda por sua carreira unicamente sacerdotal e pela própria natureza de suas funções. Salvo nas grandes cidades, em que o pastor tinha a seu cargo uma paróquia de dimensões limitadas e, por conseguinte, poderia encontrar tempo para uma profissão leiga, os ministros presbiterianos consagravam toda sua atividade a seus fiéis, ou pelo menos, à causa evangélica (pois, algumas vezes, eles eram diretores de colégios protestantes ou redatores de jornais religiosos).

No séculoXIX, um grande proprietário de terras no Estado do Piauí chamado Joaquim Nogueira Paranaguá, ganhou uma Bíblia do missionário Z. C. Taylor. Quando o irmão de Paranaguá solicitou que enviasse livros de leitura para uma escola, ele enviou-lhe textos do Novo Testamento e cinco Bíblias. No início do século XX esta escola tornou-se em um colégio.

O grande Vital Brasil foi a um tempo membro da Igreja Presbiteriana de São Paulo, e os pastores do Rio presidiram aos seus funerais na velha capela metodista do catete. Advogados e médicos aderiram ao movimento evangélico. Mas foi no campo da educação que ele foi recebido com simpatia toda especial. A segunda geração protestante haveria de contribuir na criação das Universidades. Remígio de Cerqueira Leite, um dos leigos mais ativos da Igreja Presbiteriana de São Paulo, era professor na Escola da Praça da República.

 

4.4.4 Os Batistas

Os missionários Willian Buck Bagby e Zachery C. Taylor fundaram na cidade de Salvador, BA, em 15 de outubro de 1882 aquela que é considerada a primeira Igreja Batista brasileira.

A Convenção das Igrejas Batista do Brasil foi fundada no ano de 1907 e se constituiu no primeiro grande passo da nacionalização dos batistas brasileiros na busca da verdadeira autonomia como denominação nacional. No relatório da comissão especial constituída pela assembléia de 1935, em relação às instituições de ensino, conforme o quarto item: Reforma das bases de cooperação, define: “As juntas dos colégios e dos seminários elegerão seus diretores e professores,…as funções de diretor dos educandários serão ocupadas por qualquer batista competente e de conhecida cultura, sem distinção de nacionalidade. A comissão declarou que o ideal é que as escolas de treinamento de moças venham ficar sob a direção das juntas dos seminários, entretanto, como estão, isto é, sob a direção dos colégios, até que se torne viável este ideal.”

Entre os aspectos que tratam sobre a eficiência denominacional, os batistas dizem que devem devotar-se com energia e com recursos próprios, para ajudar a multiplicar colégios denominacionais e outras agências em solo brasileiro, sob a direção da denominação e em harmonia completa com o espírito e a doutrina da Igreja.

O missionário Willian B. Bagby entendia os colégios como estratégia para difusão da fé evangélica; disse ele:

“Tais colégios prepararão o caminho para marcha das igrejas…Colégios fundados nestes princípios triunfarão sobre todo o inimigo e conquistarão a boa vontade até de nossos adversários. Mandai missionários que estabeleçam colégios evangélicos…”

A Igreja Batista de Natal foi criada por um antigo professor chamado Joaquim Lourival Câmara. Um dos melhores pastores batistas, Tomaz de Aguiar, fora professor em Manaus. Numerosas professoras públicas tiveram a mesma importância, tais como d. Arquimínea Barreto e sua irmã Jaquelina, da Igreja Batista da Bahia, e ainda d. Ermelinda de Souza Melo, professora em Alagoas.

Em 1898 o capitão da guarda nacional Egídio Pereira de Almeida, aproveitando-se de suas relações com a alta sociedade da Bahia, fundou, com a esposa do missionário Taylor, um grande colégio, que mais tarde recebeu o nome de Colégio Americano Egídio. O Secretário da Educação do Estado da Bahia compareceu à inauguração.

O segundo grande colégio fundado pelos batistas no Brasil foi em São Paulo,  em 1902, pela esposa do Rev. Bagbie, com 60 alunos. Em 1904, o “Colégio Progresso Brasileiro” contava com 90 alunos; em 1906, 130; em 1907, 165. Transformou-se depois, mais francamente, em “Colégio Batista Brasileiro”, instalando-se em soberbos edifícios, e ali criando sucessivamente uma Escola Normal, reconhecida pelo Estado, um curso comercial, um curso de ciências domésticas, uma seção de odontologia, tornando-se assim quase “uma espécie de universidade miniatura.

O terceiro colégio foi em Recife, em 1906. Teve o nome de “Colégio Americano Gilreath e a sua fundação se deve ao missionário Canadá. Em 1909 chegou a mais de 80 alunos. No Rio, o “Colégio Batista Americano-Brasileiro”, fundado por iniciativa do missionário Shephard, foi inaugurado em 1908. O Dr. Shephard pretendeu torná-lo logo uma instituição modelo, da mesma natureza, de iguais princípios e do mesmo nível que o Colégio D. Pedro II. Em 1911 o Colégio Batista Americano-Brasileiro contava com 200 alunos.

Com a criação em Friburgo, em 1910, de um colégio transferido em 1914 para Campos, onde se tornou o modelo das instituições similares no Estado do Rio, a do Colégio Batista Mineiro, de Belo Horizonte, pelo missionário Maddox,  a do Colégio de Maceió, em 1921,  e finalmente a do Instituto Industrial Batista de Corrente, PI.

4.4.5 Os Episcopais

A Sociedade Missionária da Igreja Americana recrutou os primeiros missionários destinados ao Brasil. O primeiro missionário episcopal enviado foi Richard Holden (1860-1864), o qual atuou no Pará e na Bahia. Nos dois lugares propagou a doutrina protestante, pela imprensa, pela venda de Bíblias e panfletos e através de contatos pessoais. Desde fins de 1889, os missionários James Watson Morris e Lucien Lee Kinsolving se encontravam em terras brasileiras e estabeleceram-se no Rio Grande do Sul e em junho de 1890, iniciaram cultos regulares, segundo o rito episcopal. Logo fundaram na cidade de Porto Alegre uma escola e em agosto de 1891, o jornal Estandarte Cristão.

A Convenção Episcopal de 1898 realizada na cidade de Porto Alegre em 30 de maio redigiu um documento, chamado de “pacto”, no qual fixou no item que tratava Das Considerações gerais, Sec. 1ª: “São consideradas instituições gerais da interdiocese da Igreja Episcopal Brasileira: …b) o Colégio Cruzeiro do Sul, também situado em Porto Alegre, e cujo fim é proporcionar, de preferência aos filhos de eclesianos, a instrução e educação geral, sob a influência do Evangelho e particularmente dos ensinos da Igreja; c) o Ginásio Santa Margarida, situado em Pelotas.”

4.4.6 Os Luteranos

O Sínodo Evangélico do Brasil Central, fundado em 1912, em seu estatuto do Sínodo das Igrejas Evangélicas Alemãs do Brasil Central, em seu Artigo II Da Finalidade do Sínodo, diz: “Através do Sínodo deve ser criado um centro unificador a fim de conservar e fortalecer a vida evangélica alemã. Algumas finalidades são: c) preparação de professores capacitados para o ensino nas escolas.”

No documento chamado de Manifesto de Curitiba (1970), a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil declara que a denominação busca o diálogo franco e objetivo com o Estado. Ela se vê como parceira das ações sociais a serem empreendidas, entre estas ações destaca-se a participação ativa no sistema educacional brasileiro, a fim de educar as novas gerações, contribuir para a alfabetização de adultos, entre outras. A Igreja Luterana percebe a sociedade brasileira como plural e multiconfessional e, ainda que, o governo tente evitar o sectarismo, compreende que o ensino religioso deve ser aplicado no sistema educacional. À época constava do currículo escolar a disciplina de moral e cívica, a qual, segundo o entendimento da denominação não substitui e nem pode substituir o ensino religioso.

 

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O que se pôde constatar por intermédio da pesquisa realizada para a elaboração deste artigo, é que o protestantismo não se limitou apenas à esfera teológica, enquanto movimento religioso. Desde sua origem a partir das idéias e ideais do monge agostiniano Martinho Lutero, o movimento protestante construiu seu caminho histórico fazendo da educação um de seus meios e alvos de propagação de seus ensinamentos. Tendo como berço de seu nascimento o, assim designado, “velho mundo”, o protestantismo difundiu-se rapidamente, graças ao sentimento de indignação por parte de vários países, com respeito à ingerência do clero romano nos aspectos nacionais, como também ao desejo de uma prática de fé cristã libertadora.

A pesquisa também demonstrou o caminho percorrido pela fé protestante até chegar ao Brasil e de que maneira influenciou o sistema educacional brasileiro. Percebe-se que o país que mais contribuiu para que isto ocorresse foi os Estados Unidos da América, haja vista, ter sido a nação que mais enviou missionários protestantes às terras brasileiras. Há que se considerar, também, a contribuição, neste sentido, da Grã-Bretanha e da Alemanha; países que mais absorveram a teologia protestante.

Nota-se que a atividade missionária protestante em terras brasileiras, iniciada a partir de 1808, foi constante e intensa. Fato decorrido não somente do envio de, por intermédio de missões protestantes, de pastores evangélicos ao Brasil, mas, também em função da imigração de alemães luteranos, os quais se instalaram principalmente ao sul do território brasileiro. A influência cultural e religiosa destes imigrantes ainda se faz notar no Brasil, uma vez que, estes mantêm vivas suas tradições tanto culturais como religiosas, inclusive o idioma alemão.

No que diz respeito a influência do protestantismo no sistema educacional brasileiro, fato que a investigação bibliográfica evidenciou, percebe-se que a preocupação dos missionários protestantes, com destaque aos metodistas, era a de fundar junto às suas igrejas escolas, visando proporcionar instrução, tanto aos eclesianos quanto à comunidade. Também foi possível constatar que a formação educacional dos missionários protestantes compreendia formação superior. Isto possibilitou a atuação destes na esfera educacional, mais especificamente como docentes, das escolas fundadas e administradas por suas denominações , como também no sistema educacional público brasileiro.

A investigação bibliográfica exploratória mostrou a forte influência do protestantismo no sistema educacional brasileiro de dois modos: Primeiro, as missões protestantes fundaram várias escolas no Brasil abrangendo cursos que contemplavam a alfabetização, cursos de formação em educação básica e até cursos técnicos. A criação de colégios confessionais proporcionou uma forte influência, inclusive, na matriz curricular das escolas públicas brasileiras. Alguns dos colégios implementados em solo brasileiro vieram a se tornar faculdades e universidades. Segundo, o exercício da docência de, principalmente, mulheres missionárias protestantes em escolas públicas, fato que demonstra suas competências educacionais, comprova a influência do protestantismo na educação brasileira.

Portanto conclui-se que o protestantismo, movimento originalmente de caráter religioso, atuou também nas instâncias sociais e culturais. Seus líderes religiosos, sobretudo pastores e missionários, possuíam notável formação educacional e utilizaram-se de suas habilidades e conhecimentos, empreendendo ações educacionais significativas em terras brasileiras.

 

BIBLIOGRAFIA

GONZALEZ, JUSTO. Uma história ilustrada do cristianismo: A era dos reformadores. São Paulo 1994.

LÉONARD, G. Émile. O Protestantismo Brasileiro. Ed. 3ª. Aste. São Paulo 2002.

MENDONÇA, G. Antonio. O Celeste porvir. A inserção do protestantismo no Brasil. Ed IMS-Edims. São Paulo 1995.

Site: wikpaedia

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