A Elegância do Comportamento

No livro de Provérbios, na Bíblia Sagrada, temos o registro de um pensamento que remete à uma reflexão importante sobre comportamento: “A palavra proferida no tempo certo é como frutas de ouro incrustadas numa escultura de prata.” Provérbios 25.11. Além da beleza poética do texto observamos a estética comportamental no que diz respeito ao que falamos, como falamos e a quem falamos.

Diante das constantes mudanças de padrões comportamentais de nossa sociedade, percebemos a desconstrução de alguns valores que deveriam ser conservados. Por exemplo: está em voga o comportamento descolado; não é apenas uma palavra nova, mas é sobretudo um conceito novo que vem carregado de ideologia. Ser descolado passa uma ideia de desconexão, de não aderência, de uma percepção de liberdade individualista e exclusivista onde o mais importante sou eu e os outros devem ajustar-se a mim.

Pode haver muita deselegância neste tipo de comportamento, afinal o modo como o indivíduo trata seus pares será afetado por sua maneira pessoal de encarar as relações interpessoais. No provérbio acima citado, a “palavra proferida” é uma expressão que afeta o processo de comunicação. Tudo o que uma pessoa fala para outra expõe seus pensamentos, sentimentos, emoções, valores, visão de mundo e outros elementos relacionados à cultura pessoal.

Usar as palavras certas no momento certo é uma forma de ser elegante. Tratar os outros com o devido respeito, possuindo aderência com valores humanos desejáveis é uma questão de elegância comportamental. Evitar palavras chulas (de baixo calão) nas conversas, por mais informais que sejam, é uma atitude elegante. Distinguir ambientes a ponto de saber o comportamento e o linguajar adequado que pede a situação é um comportamento elogiável.

A elegância verbal é uma competência que vem sendo minada por algumas ideologias ditas progressistas. Há aqueles que querem fazer crer na desconstrução de todo e qualquer paradigma, ou padrão social (ou tabus) como algo que liberta o indivíduo. Porém, a elegância comportamental nunca se constituiu em uma forma de aprisionamento, mas sim de libertação de uma série de atitudes que não beneficiam o coletivo, além disso, comprometem a imagem do indivíduo.

Boa educação, respeito a todos os indivíduos, gentileza, não falar tudo o que pensa, autocontrole verbal, saber ouvir e outros tantos aspectos admiráveis tornam seus adeptos em indivíduos elegantes, em termos comportamentais.

Paulo Roberto de Araujo – especialista em gestão de pessoas

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