Arquivo da categoria: Artigos

Tem algo que ainda não percebemos…

A maioria dos erros que cometemos são de natureza comportamental.

Se um sujeito tem dificuldade para se organizar em suas finanças não basta ensiná-lo como fazer uma planilha de seus gastos mensais, isto é relativamente fácil e ele poderá aprender. A questão é se ele está disposto a mudar seus hábitos de consumo, a fazer pesquisa de preços antes de adquirir um produto ou serviço; se é capaz de exercer autocontrole em termos de impulso de compras; se consegue auto disciplinar-se a ponto de estabelecer uma meta mensal de poupança a fim de “juntar”o montante necessário para adquirir a vista, com os devidos descontos, aquilo que deseja comprar. Estas ações não envolvem conhecimento técnico, são atitudes. E isto é de natureza comportamental.

Se um indivíduo se atrasa para seus compromissos ou mesmo esquece de algum deles, não basta ensiná-lo a usar uma agenda; é praticamente certo de que ele tem consciência de que deve aprender a utilizar este recurso. Aliás, hoje temos as agendas eletrônicas as quais se constituem numa ferramenta muito eficiente. Seus descuidos e até mesmo suas procrastinações em relação aos compromissos assumidos é de natureza comportamental. O que este indivíduo precisa é mudar seus hábitos, suas atitudes, sua maneira pensar.

Quando analisamos os erros cometidos na administração pública, por exemplo, facilmente constatamos que eles não ocorrem porque falta competência técnica aos gestores (em alguns casos até é possível que ocorra). A maioria possui as competências adequadas ao cargo que ocupa. No entanto, o Estado e suas instituições sofrem com a prodigalidade de seus administradores, uma vez que os gastos superam a arrecadação. E por que isto ocorre? Por que muitas decisões são de caráter político e não técnico, porque os interesses particulares se sobrepõem aos da coletividade – o mau caratismo, ou se preferir a falha em forjar um caráter idôneo interfere de forma vil no processo decisório quanto ao gasto público. Este problema não tem origem técnica, é uma questão de atitude, de comportamento fundamentado em valores apreciáveis e desejáveis.

Se um funcionário de uma organização é promovido a um posto de chefia, mas sua atuação como líder deixa a desejar, apesar de todos os treinamentos e capacitações proporcionados pela empresa, é provável que suas deficiências estejam associadas a questões de ordem comportamental. Talvez seu quociente de inteligência emocional seja baixo. Neste caso, especificamente, não lhe falta conhecimento técnico, mas sim outras habilidades que tem a ver com a inteligência emocional, como por exemplo: assertividade, comunicação eficaz, relacionamento interpessoal, empatia e outros. Observe, são aspectos que dizem respeito às competências comportamentais. Neste caso o saber cognitivo contribui com uma parte do processo, a outra tem a ver com trabalhar elementos inconscientes a fim de que se transformem em atitudes conscientes.

 

Há como desenvolver as competências comportamentais apesar de toda a complexidade que envolve a questão? Sim, claro que sim! O que fazer?

  1. Busque fazer uma autoanálise. Conhecer a si próprio é o primeiro passo. Procure um profissional (um atendimento de coaching seria uma ótima opção).
  2. Elenque as competências comportamentais mais importantes neste momento de sua vida. Avalie, honestamente, o estado atual de cada uma delas e de forma prioritária aponte quais precisam ser desenvolvidas ou aperfeiçoadas.
  3. Peça feedback de alguém em quem você confia sobre suas ações e reações frente às diversas situações de seu dia-a-dia.
  4. Leia muito sobre o assunto, amplie sua visão de mundo, reveja suas crenças e valores.
  5. Finalmente, tome uma atitude!

 

Se quiser minha ajuda entre em contato comigo. Meu nome é Paulo Roberto de Araujo, sou especialista em gestão estratégica de pessoas, possuo três formações em coaching, uma larga experiência que vai desde o ambiente acadêmico, passando pelo corporativo e eclesiástico. Tenho três livros publicados na área. Não importa a distância geográfica, podemos programar os atendimentos por Skype.

paulo@gentecompetente.com.br

(041) 99615-4466

Desejo a você muito sucesso.

 

 

 

 

Frases de efeito com graves defeitos

Há determinados pensamentos formulados a partir de percepções equivocadas da realidade, cuja experiência pessoal, diante de uma situação pontual refletem algo particular, e que não deveriam ser propagadas como verdades absolutas aplicáveis a todos.

A transmissão cultural de algumas frases de efeito parece estar associada ao que a psicologia classifica como conceitos, comportamentos e crenças presentes no inconsciente coletivo. Muita gente sabe aplicar aquele pensamento à situação correta, mas não sabe explicar porque faz isto e se está certo e faz sentido.

Gostaria de exercer uma reflexão crítica sobre algumas frases que classifico como frases de efeito com graves defeitos:

  • Se você quer que uma coisa seja bem-feita faça você mesmo. Esta é uma forma de pensar que reflete um comportamento centralizador. Há chefes, por exemplo, que não conseguem delegar tarefas e funções aos membros de seu grupo. Eles não confiam nas pessoas, simplesmente não acreditam que alguém possa fazer algo melhor do que eles. Esta forma de pensar pode refletir também uma atitude soberba, uma superestimação se próprio.
  • Se fulano de tal não estiver aqui as coisas não andam. Em muitas empresas isto acontece. Existem gerentes, supervisores, diretores e outros que adoram ouvir seus subordinados usar esta expressão referindo-se a eles. Sentem-se empoderados, insubstituíveis, de ego inflado. No entanto, esta maneira de pensar reflete um grave defeito em termos de liderança. Se um líder não desenvolve seus liderados, se os torna totalmente dependentes da presença dele para que as coisas aconteçam, se não lhes confere autonomia, não os estimula à pró atividade, então ele não é um líder, de fato.
  • Pau que nasce torto morre torto. Esta frase é utilizada para afirmar que as pessoas não têm conserto, ou seja, não adianta insistir em querer muda-las. Triste do indivíduo que acredita nisso; que incorpora em sua forma de pensar esta inverdade. É preciso acreditar no potencial humano. Se uma pessoa possui pontos limitantes importantes em seu comportamento, ela precisa acreditar que pode superar suas deficiências tornando-se melhor como pessoa e, a partir deste desenvolvimento pessoal, ampliar sua capacidade de realização.
  • Eu não levo desaforo para casa. Quem usa esta expressão como norma comportamental, pode estar demonstrando uma das maiores deficiências em termos de inteligência emocional: falta de auto controle. No livro de Provérbios, na Bíblia Sagrada, o escritor afirma que não responder ao insulto é uma atitude sábia. Esta forma de agir não indica passividade, mas sim a capacidade de auto controlar-se, mantendo-se em equilíbrio. A vergonha maior é de quem insulta, isto porque, quem faz isto está, na verdade, despejando seu lixo emocional sobre o outro. Não leve desaforo para casa, exerça o perdão e vá leve para casa.
  • O que eu tenho que dizer digo na cara; não mando recado. Esta mais uma expressão carregada de grosseria e falta de empatia. É preciso não confundir franqueza com arrogância e presunção. Geralmente, os indivíduos que acreditam estar sempre certos em tudo o que pensam, falam e fazem, gostam de usar esta frase de efeito. É possível expressar-se assertivamente, falando o que pensa, sem querer intimidar os outros ou se impor sobre eles. Nem toda verdade deve ser dita, principalmente aquela que pensamos ser donos dela.
  • Não vou fazer esta tarefa porque não sou pago pra isso. Dr. Daniel Goleman, psicólogo, pesquisador e escritor do livro Inteligência Emocional, afirma em sua obra que 90% do sucesso de uma pessoa depende mais de aspectos associados à inteligência emocional do que ao quociente intelectual. Tendo em vista que há comprovação científica desta afirmativa, podemos afirmar que o indivíduo que acredita e se utiliza da frase supracitada, ainda não se desenvolveu emocionalmente. Sobretudo, quando analisamos o comportamento esperado pelas empresas em relação aos trabalhadores que almejam ascender profissionalmente. Há coisas que o dinheiro não paga, e entre elas está a possibilidade de aprendizado, e para que isto aconteça é necessário estar aberto a novas experiências, apto para enfrentar os processos de mudança, ser flexível e aceitar a realidade de que o crescimento, seja pessoal seja profissional, é um processo de construção.
  • Quem espera sempre alcança. Esta é uma perspectiva romântica com um quê filosófico. Quem acredita de forma absoluta numa afirmativa como esta, pode incorrer no erro grave de ser excessivamente otimista. O super otimista gosta de apostar que no final tudo dá certo, ou seja, não importa o meu empenho e esforço, já há um destino traçado para o meu êxito. Devemos aprender que há dois momentos distintos e igualmente impactantes em nosso destino: o momento de esperar acontecer e o momento de fazer acontecer. Para saber qual é qual e em que situação eu opto por um ou por outro, é necessário estar focado em meus objetivos e reconhecer que só posso colher o que tiver plantado.
  • Quem quiser que me aceite do jeito que eu sou. De fato, devemos ser tolerantes e compreensíveis com nosso semelhante. Não é de bom tom social querer que as pessoas sejam do jeito que queremos. Porém, também não é correto imaginarmos que tudo e todos devem adaptar-se a nós. Não somos o centro do universo existencial e os outros apenas satélites orbitando à nossa volta. É necessário refletirmos sobre nós mesmos, fazer uma autoanálise e identificarmos os pontos limitantes de nossa personalidade, principalmente aqueles que comprometem nossas relações interpessoais.
  • O que é certo para você pode não ser certo para mim. Ainda que esta frase possua uma aplicabilidade inteligente, faz-se necessário tomar os devidos cuidados para não ferir as normas e regras que regem a convivência das pessoas em sociedade – a isto chamamos de ética. No que diz respeito à construção de sociedades civilizadas e equilibradas, é indispensável respeitar determinadas normas de comportamento, justamente para não invadirmos o espaço do outro, imaginando que ninguém tem o direito de me impedir de fazer o que eu quero. Se o outro acha errado o problema é dele; para mim está certo, e é isto o que importa. Ao contrário do que pregam alguns, existem, sim, verdades absolutas. No momento em que alguém não acredita nestas verdades, relativizando tudo, está tirando o chão sob seus próprios pés. Se estou aberto a aceitar tudo e qualquer coisa sob o pretexto de que não existem verdades plenas, estou dizendo para mim mesmo que não devo ter convicções. E, se acredito que a relativização é o único e mais correto meio de pensar, então o pensamento relativista passa a ser meu absoluto.
  • A voz do povo é a voz de Deus. De todas penso que esta seja a mais absurda. Não existe qualquer fundamento teológico que respalde esta crença. Os atos de Deus não são decididos por uma assembleia onde a maioria vence, isto porque, ainda que Ele seja um e único, reuni em si próprio todos os atributos incomensuráveis da divindade. A questão afeta a esta a forma de pensar gera uma falsa sensação de que é possível dizer a Deus o que fazer. Ao mesmo tempo em que se acredita no relativismo, acredita-se também no absolutismo – a ponto de imaginar que a voz de Deus será apenas o eco de indivíduos que se julgam mais sábios e poderosos do que o próprio criador e que para Ele não existe outra alternativa, apenas assentir à voz de suas criaturas.

 

Paulo Roberto de Araujo

Especialista em Gestão de Pessoas.

www.gentecompetente.com.br

Esqueceram de mim!

natal_com_jesus

Este é o título do filme que consagrou o jovem ator Macaulay Culkin. A história se passa durante o Natal, quando sua família sai de viagem e esquece o membro mais novo em casa. Percebendo-se só, o garoto Kevin McCallister (nome do personagem na trama) procura “se virar”, conforme dizemos em nossa gíria popular brasileira. Para apimentar a história a casa dos McCallister é alvo de dois assaltantes, os quais esperavam encontrá-la vazia, porém para surpresa e frustração deles, o jovem Kevin estava lá. Valendo-se de sua coragem e criatividade ele, sozinho, consegue dar conta dos assaltantes e proteger sua casa. É uma boa história e uma boa comédia familiar.

Gostaria de me valer desta história para fazer uma analogia com o que acredito estar acontecendo com Jesus, a quem classifico como o aniversariante esquecido no dia de seu próprio aniversário.

Tal qual Kevin McCallister, Jesus poderia dizer: esqueceram de mim.

A cada ano que passa o Natal está recebendo um nome e um significado diferente. Tenho em minha mente algumas recordações de minha infância. Lembro-me de meus pais levando-me a lugares para visitar os pequenos e grandes presépios, onde de uma maneira singela e ao mesmo artística, era possível ver a reprodução do dia e do lugar em que Jesus nasceu. O cenário remontava a cidade de Belém e a estrebaria, onde José e Maria se hospedaram por ocasião do nascimento do menino Deus.

Mesmo a figura do Papai Noel, carinhosamente chamado de o bom velhinho, não ofuscava a pessoa de Jesus. As famílias, as igrejas, a sociedade em geral tratava de manter vivo o motivo e o sentido do Natal: a vinda ao mundo do filho de Deus. Era possível sentir uma aura de amor e de paz que permeava o período natalino. Claro que há uma ponta de saudosismo no que estou escrevendo, no entanto há, também, uma análise de que como as coisas podem mudar num curto espaço de tempo.

A cada Natal fala-se menos de Jesus; ele está sendo esquecido e substituído. Uma das expressões que estão usando com maior ênfase é: o espírito de Natal. É mais confortável para alguns valer-se desta expressão do que manifestar seu reconhecimento e gratidão atribuindo louvor ao menino Jesus. A Escritura Sagrada diz no evangelho de João capítulo três e versículo dezesseis que Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito. Tem-se a impressão que nossa sociedade ama o mundo de tal maneira que esqueceu do unigênito filho de Deus.

Particularmente, acredito que existem formadores de opinião interessados em desconstruir a relação direta e explícita do Natal com a figura de Jesus Cristo. É mais interessante para os objetivos econômicos associar o dia 25 de dezembro com o consumo. Jesus não dá lucro, aliás se as pessoas acreditarem nos seus preceitos abrirão mão do material em função de valores intangíveis, como a humildade, a simplicidade, a pureza, amizade verdadeira e outros que não podem ser encontrados nas prateleiras das lojas.

Jesus está sendo esquecido no dia de seu aniversário. Sua família saiu para viajar e curtir a vida, enquanto ele está só, abandonado por aqueles aos quais mais ama. A cristandade precisa resgatar o verdadeiro sentido e motivo do Natal. É preciso resgatar este precioso valor cristão. Não há qualquer problema em trocar presentes, afinal Jesus é o grande presente de Deus para nós; não há nada de errado em ter a mesa farta (para aqueles que podem, naturalmente) e reunir a família para ceia, aliás isto é muito bom. Contudo, quando reunidos em família vamos agradecer juntos, em oração, pelo nascimento de Jesus. Vamos prestar-lhe culto, reconhecendo seu amor e tudo o que nos tem ensinado a respeito do Pai que o enviou. Não esqueçam dele, nem no Natal nem em qualquer outro dia do ano.

Obrigado Deus por não esqueceres de mim!

Paulo Roberto de Araujo

SE VOCÊ NÃO IMPEDIR OS “MONSTROS SAGRADOS” VÃO SE CRIAR

lider-empresa-treinamento

Quando desejamos rotular as pessoas que conquistaram poder e influência em determinados contextos, as chamamos de “monstros sagrados”. Estes “monstros sagrados”, devido a seu carisma, conquistam a atenção, o respeito e até o medo dos outros. A expertise de comando construída por eles é tão forte que mesmo seus líderes não tomam nenhuma decisão sem antes consulta-los, o que, sem dúvida, fortalece o poder deles.

Não se deve ignorar que estes ditos “monstros sagrados” são, na maioria das vezes, muito competentes em suas áreas de atuação; são, também, realizadores, exigentes, de quociente de Inteligência privilegiado, contundentes na hora de expressar suas opiniões. Pessoas que se tornam “monstros sagrados”, normalmente possuem um perfil dominante, ou seja, gostam e procuram o comando, são autoconfiantes em excesso, possuem uma autoimagem elevada a ponto de se perceberem, na maioria das vezes, mais fortes, mais certos e superiores aos demais.

Profissionais com este perfil comportamental são muito determinados, por isso podem produzir resultados de curto prazo para a empresa em que trabalham. Isto nos ajuda a entender o porquê das organizações manterem em suas equipes de trabalho, colaboradores dos quais os colegas reclamam tanto, haja vista o fato de serem a causa de muitos conflitos nas relações interpessoais.

Uma observação curiosa que se pode fazer sobre o surgimento dos “monstros sagrados” nas empresas, é que eles nascem, crescem e se fortalecem de forma gradativa. A questão a ser considerada é o perigo destes profissionais fazerem de reféns sua liderança, colegas de trabalho,  patrões, fornecedores e até mesmo clientes. Ainda que suas competências técnicas sejam inegavelmente eficazes, suas deficiências comportamentais podem gerar problemas de longo prazo, como por exemplo, piora do clima organizacional. A força de sua personalidade pode ser tão intensa que mesmo seus líderes reconhecendo o ponto fraco deles em termos de habilidades sociais, preferem mantê-los em seus quadros funcionais pelo fato de não acreditarem que conseguirão contratar outra pessoa tão capaz quanto o “monstro sagrado”.

Sem dúvida, o que determina o comportamento organizacional é a cultura criada e consolidada pela empresa. Há patrões que admiram os dominantes porque o perfil deles está alinhado, ou seja, se o perfil do patrão também é dominante, se ele fala o que pensa sem ponderar as consequências para o outro, se acredita que há uma única verdade em termos de obtenção de sucesso e que esta passa por este tipo de comportamento, então os “monstros sagrados” são os melhores funcionários que se pode ter.

Outro problema a ser considerado é que pessoas com perfil de personalidade dominante, não costumam estar abertas à opinião dos outros; eles simplesmente se sentem contrariados, uma vez que, sentem a necessidade de se impor. Em termos organizacionais ouvir as pessoas é premissa da boa gestão. Os resultados são mais satisfatoriamente alcançados, na medida em que todos os colaboradores se sentem parte do processo.

Entende-se que é melhor adotar medidas que evitem o surgimento dos “monstros sagrados”, porque se não for assim eles vão se criar. Evidentemente, deve-se ter cuidado para não sufocar os talentos da organização. Se a empresa possui líderes competentes, eles saberão o que fazer a fim de direcionar os potenciais humanos para a construção de uma cultura de competências (técnicas e comportamentais) voltada para os resultados.

Paulo Roberto de Araujo – Especialista em Gestão de Pessoas

Sem empatia não há comunicação

Comunicação empática

Um dos aspectos mais importantes da inteligência emocional é a empatia. Se considerarmos a empatia como essencial à comunicação que atinge seus objetivos, então comunicar com eficácia é uma questão de inteligência, não apenas intelectual, mas sobretudo emocional.

Será que todos entendem claramente o que é empatia? Quando pergunto isto aos meus alunos na faculdade, poucos conseguem explicar. Alguns confundem empatia com simpatia, o que não está de todo errado, sem dúvida uma coisa está associada a outra.

De forma bem simples, define-se empatia como o ato de colocar-se no lugar do outro. Veja, esta é uma postura interessante quando aplicada à comunicação. Se eu estivesse sendo o receptor da mensagem que estou emitindo, seria capaz de compreender claramente o que estou querendo dizer?

Bem, para podermos demonstrar a importância da empatia no processo de comunicação, é necessário que entendamos primeiro quais os tipos de empatia que existem e de que maneira cada um deles interfere na comunicação entre as pessoas.

Existe o que a literatura chama de empatia cognitiva. Este tipo de empatia é aquela em que o sujeito é capaz de compreender a necessidade do outro. Ele tem a habilidade de construir em sua mente um quadro real do que o seu interlocutor está passando. Em termos de uma comunicação eficiente, isto é primordial. Pergunto: Somos capazes de compreender o modo como outro entende o que eu falo? A pergunta não se outro é capaz de entender o que eu falo, mas sim, se sou capaz de me fazer entender a partir da perspectiva de quem me ouve.

Há também a empatia emocional; este tipo determina o quanto sou capaz de sentir em mim as emoções do outro. Esta modalidade é muito interessante, na medida em que o processo de comunicação não é pensado apenas como um ato verbal, mas como um envolvimento nos aspectos emocionais e subjetivos do meu interlocutor. Se minha pretensão é conscientizar a outra pessoa, ou fazê-la refletir sobre o que estou comunicando, ou criar estímulos a partir do processo de comunicação, então minha comunicação não pode restringir-se à expressão verbal, mas deve envolver-se nos aspectos emocionais que afetam tanto o emissor quanto o receptor e a sinergia criada a partir daquilo que está sendo comunicado.

Há, ainda, a preocupação empática, a qual faz com que a pessoa se mobilize no intuito de ajudar o outro, ou seja, ele não apenas compreende a necessidade, não apenas sente a necessidade, mas mobiliza-se no sentido de fazer alguma coisa por quem precisa. Quando aplicado à comunicação, este tipo empatia torna-se indispensável. Neste caso as técnicas de feedback ajudam na construção de um processo de comunicação eficiente, eficaz e efetivo. Não é suficiente transmitir uma informação sem perguntar ao final se os ouvintes têm alguma dúvida sobre o que foi dito. Dar espaço para que os receptores se sintam à vontade para pedir mais esclarecimentos é uma prova de preocupação empática.

Finalizando, comunicar é uma habilidade, é também uma arte, é também uma questão de inteligência emocional.

Paulo Roberto de Araujo – Especialista em gestão estratégica de pessoas.

PROFISSÕES PORTÁTEIS

Competências comportamentais

Definitivamente estamos vivendo uma mudança “nunca antes vista na história deste país”. O conceito de profissão, carreira, competências e outros termos afins, passa por um amplo processo de ajuste, que mexe com todas as áreas relacionadas ao tema.

A cada ano surgem novas profissões no mercado de trabalho e isto em função, principalmente dos avanços gerados pela evolução tecnológica. A geração baby boomers e a geração X nasceram num contexto em que as profissões eram estanques, ou seja, não sofriam mudanças significativas. Bastava escolher uma das opções da época que ela se constituiria na atividade profissional do indivíduo e o acompanharia por toda a vida.

Sem dúvida, o mercado de profissões ganhou nova cara, novo tipo, novo layout, ou como se fala hoje, nova configuração. O que se espera de um profissional do século XXI? Duas coisas distintas que parecem se contradizer, porém se completam na medida em que o sujeito consegue conciliá-las em seu perfil profissional. E o que isto quer dizer? Quer dizer que ao mesmo tempo em que o trabalhador deve se especializar em uma determinada área, desenvolvendo-a com grande capacidade de inovação, deve, também, ser multifuncional, ou seja, capaz de assumir diversas funções na organização, estar preparado para mudanças, pensar coletivamente, possuir múltiplas competências, ser criativo e gerar resultados.

A expectativa que o mercado de trabalho tem é que o colaborador possua competências profissionais, as quais ele possa levar para qualquer organização – é o que a literatura especializada classifica como profissões portáteis. Esta expectativa aponta para uma realidade cada vez mais presente: não é de bom tom ficar muito tempo numa mesma empresa fazendo a mesma coisa o tempo todo. Faz alguns anos que uma pesquisa constatou que o trabalhador permanecerá no máximo 5 anos no mesmo local de trabalho.

Segundo um conceituado consultor as profissões são classificadas em três categorias, quais sejam: Commodities: Estas são as que o profissional pode desenvolver em qualquer organização, como por exemplo: utilização de softwares como word, excel e outros; elaboração de relatórios, arquivamento de documentos e etc., há também as competências comportamentais que são aplicáveis a qualquer ambiente, como capacidade de bom relacionamento interpessoal, pró atividade, honestidade, justiça e outros. Outra categoria é a que ele chama de Alavancadas: Nelas se incluem as atividades que também podem ser desenvolvidas em qualquer empresa, porém para algumas ela é essencial, por exemplo: se a pessoa trabalha numa empresa que fábrica e comercializa produtos de informática, saber utilizar softwares deixa de ser apenas uma commoditie e passa a ser alavancada. Na terceira categoria ele cita a Proprietária. Desta fazem parte as atividades profissionais que são aproveitadas exclusivamente em determinado tipo de empresa, por exemplo, um bioquímico que trabalha na fabricação de medicamentos, terá como campo de trabalho organizações do ramo de laboratórios. Suas competências não terão aplicação em outro tipo de empresa.

Além das categorias citadas acima, surge a portátil, formada pelos conhecimentos, habilidades e atitudes que acompanharão o profissional em toda e qualquer empresa em que ele trabalha. Nesta categoria pode ser incluída a capacidade de desenvolver multitarefas. Não significa ser bom em tudo, significa estar disposto aprender novas competências e desenvolvê-las da melhor maneira que puder. Como já foi dito, conhecimento é um patrimônio que não possui limites de armazenamento e quanto mais se compartilha mais cresce. A habilidade portátil permite ao profissional atuar em diversas áreas da organização.

Pessoalmente, penso que as competências comportamentais devam fazer parte, sempre, das habilidades portáteis. Ser uma pessoa com grandes habilidades sociais é essencial para o desenvolvimento com êxito das competências técnicas.

 

Paulo Roberto de Araujo – Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas

Site: www.abibliaeagestaodepessoas.com.br

“Era uma vez…”

GERACAO

Assim começam muitas estórias que embalaram nossos sonhos infantis. Elas não apenas nos divertiam, ou distraíam, mas também nos ensinavam. Muitas destas fábulas que nos encantaram foram criadas por pessoas que desconhecemos. Elas surgiram a partir de experiências do cotidiano e passaram a transmitir valores, conceitos, regras de conduta, fortalecendo culturas e estabelecendo paradigmas. Uma destas fábulas que se tornaram famosas e continuam, até hoje, encantando gerações é a dos Três Porquinhos. Apenas como nota, vale comentar que ela foi difundida a partir do século XVIII por Joseph Jacobs, porém sua origem remonta a tempos muito mais antigos.

E por falar em gerações, que tal fazermos uma analogia da fábula dos Três porquinhos com o mundo corporativo? Veja se você aprova.

“Era uma vez três gerações que trabalhavam em uma mesma empresa. Todas elas precisavam sobreviver, necessitavam obter êxito em suas atividades e construir algo significativo. A mais velha chamava-se Baby Boomer. Nascida após a II Guerra Mundial, fazia o máximo possível para se manter empregada; preferia a estabilidade. Gostava mais de ser reconhecida e valorizada por sua experiência do que pelo espírito inovador. Seus contemporâneos eram chamados de grupo do “paz e amor” e tinham como característica aversão aos conflitos armados. Preferiam a música, as artes, e todas as outras formas de cultura como instrumentos para a evolução humana do que as guerras. Devido a sua experiência, Baby Boomer, ocupava um cargo de direção na empresa. Por causa de seu perfil fortemente conservador, ela tinha dificuldade de relacionamento com suas colegas.

A geração intermediária chamava-se X e era classificada como imigrante digital. Nascida em meados dos anos 1970 seu grande desafio era adaptar-se às novas tecnologias. Desde o início se mostrou resistente a acreditar que máquinas poderiam substituir a mão-de-obra humana, sobretudo nas atividades operacionais. X era muito insegura; tinha medo de perder o emprego. Pressionada pelos novos tempos organizacionais precisou voltar aos bancos escolares. Se viu diante da necessidade de adquirir novas competências. Se não fizesse isto perderia espaço na empresa e não conseguiria construir uma carreira mais sólida.

A geração, mais recentemente contratada chamava-se Y. Y sempre foi inquieta, agitada, gostava de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Nascida no início dos anos 1990, dominava as novas tecnologias com muita facilidade. Seu perfil dinâmico e em constante movimento, faziam com que Baby Boomer e X se sentissem incomodadas ao vê-la ouvir música, navegar na internet e ler aos e.mails, tudo, ao mesmo tempo. Y nunca escondeu que não pretendia ficar mais do que quatro ou cinco anos na empresa. Ela preferia inovações constantes, não tinha medo de correr riscos e sabia que tinha potencial para muito mais. Y sempre detestou a rotina.

Certo dia, o “lobo mau” dos tempos de crise bateu à porta das três gerações. A primeira a ser atacada foi Baby Bommer, que depois de quase trinta anos de empresa foi demitida. Desolada, sem saber muito bem o que fazer, saiu correndo pelo mercado de trabalho tentando conseguir uma recolocação. Inútil. Baby Boomer estava velha demais para as pretensões das empresas modernas. Sem alternativa, decidiu aposentar-se e passou a oferecer serviços de consultoria, usando como argumento sua larga experiência empresarial.

A segunda a ser vítima do “lobo mau” dos tempos de crise foi X. X se sentiu traída. Em sua auto avaliação considerava-se imprescindível. Afinal, tinha experiência, maturidade e juventude para realizar mais. No entanto, “lobo mau” foi implacável. Depois de quinze anos trabalhando na mesma empresa não sabia o que fazer. Enviou alguns currículos e até contratou a uma agência de head hunters, porém sem sucesso. Decidiu, então, usar o dinheiro que recebera do acerto para abrir um negócio próprio. Iria tentar a vida como empresária.

A terceira, geração Y, não se sentiu nem traída, nem preterida; na verdade, após quatro anos na mesma empresa, achava que estava em tempo de alçar novos voos profissionais. Quando “lobo mau” a comunicou de sua demissão ficou tão satisfeita que chegou a agradecer a ele por tê-la dispensado. Inclusive, confessou às colegas que se sentia aliviada. Depois de quatro anos achava a empresa muito devagar em seu processo inovador. Y tinha sonhos, juventude e novos tempos para viver. Enquanto suas colegas correram para o mercado de trabalho tentando salvar o que restou de suas carreiras, Y correu para a garagem de sua casa. Lá abriu uma startup e hoje ganha muito dinheiro com entretenimento na internet. ”

Paulo Roberto de Araujo. Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas.

Para saber mais acesse: www.abibliaeagestaodepessoas.com.br

Teste sua Resiliência

 

resilienteVocê se considera uma pessoa resiliente? Você consegue transformar as adversidades da vida em aprendizagem e não em mágoas ou ressentimentos? Que tal fazer um teste para avaliar seu nível de resiliência?

Faça o teste

Resiliência é um conceito emprestado da física que significa a capacidade do indivíduo em lidar com situações adversas, superar pressões, obstáculos e problemas, e reagir positivamente a eles sem entrar em conflito psicológico ou emocional. Resiliência é uma das características das pessoas altamente adaptáveis, capazes de enfrentarem e superarem crises, obstáculos e adversidades com serenidade em situações de estresse. Conheça seu grau de resiliência preenchendo o questionário a seguir. Para que o resultado seja fidedigno use da máxima sinceridade, e para cada afirmação atribua nota de 1 a 5 conforme abaixo.

5 – Sempre

4 – Na maioria das vezes

3 – Medianamente

2 – Poucas vezes

1 – Nunca

1 – Eu consigo transformar situações adversas em algo positivo, e descobrir benefícios em experiências negativas________

2 – Quando acontece uma crise eu surjo com várias soluções, em vez de ficar sem saber o que fazer _______

3 – Eu tenho facilidade em resolver problemas. Conforme o caso, consigo ser criativo, ou lógico, ou então uso simplesmente o bom senso _____

4 – Quando algo de realmente ruim acontece comigo considero natural, ocasionalmente, dar uma boa risada disso_______

5 – Sou sempre o mesmo, mas percebo que em circunstâncias diferentes eu me comporto de forma diferente para me adaptar às várias situações_______

6 – Quando enfrento uma situação caótica ou de conflito, imediatamente procuro me acalmar, e me concentro em adotar ações práticas e úteis______

7 – Costumo encarar o futuro sem ansiedade ou preocupação______

8 – Quando fico preso no trânsito e sei que vou me atrasar para um compromisso, em vez de ficar agitado ou estressado, eu me mantenho calmo______

9 – Quando tenho perdas ou reveses, meus sentimentos de raiva, prejuízo ou frustração não duram muito tempo. Consigo recuperar-me bem dos reveses______

10 – Lido bem com situações ambíguas e incertas______

11 – Sou curioso. Faço perguntas. Gosto de tentar novas formas de fazer as coisas______

12 – Depois de passada a crise, costumo perguntar o que aprendi de novo com ela ______
13 – Todas as vezes que enfrento experiências difíceis e complicadas eu saio delas fortalecido e melhorado _______

14 – Eu me adapto rapidamente às novas circunstâncias e acontecimentos. Tenho facilidade de reposicionar-me diante das dificuldades______

15 – Sou habitualmente otimista. Considero as dificuldades e adversidades como algo temporário e confio que vou superá-las_______

16 – Sou flexível e sei enfrentar muito bem tempos difíceis______

17 – Quando algo de ruim acontece comigo, prefiro manter-me em contato com as pessoas, em vez de me encolher e ficar ruminando meus pensamentos_______

18 – Eu me adapto facilmente às pessoas com personalidades diferentes da minha_______

19 – Sou autoconfiante e tenho um conceito saudável de mim mesmo______

20 – Rejeito a ideia de que sou vítima das circunstâncias ou que são elas que controlam a minha vida_______

TOTAL DE PONTOS_______

SUA AVALIAÇÃO

De 80 a 100 pontos. Seu nível de resiliência é ótimo. Você tem adaptabilidade e flexibilidade, sabe como lidar com situações antagônicas e se recuperar de crises e ocasiões adversas.

De 65 a 79 pontos. Você tem boa resiliência e boa capacidade de enfrentar crises mas, às vezes, tem dificuldade de confrontar determinadas situações antagônicas ou que sejam novas.

De 50 a 64 pontos. Você consegue administrar parcialmente algumas circunstâncias adversas, mas em outros momentos, falta-lhe a habilidade de adaptação e flexibilidade perante situações inesperadas.

De 40 a 49 pontos. Você tem muita dificuldade de enfrentar conjunturas anormais ou de crises emergentes. Acrescente mais flexibilidade à sua vida e esteja mais aberto a lidar com os problemas de maneira diferente e mais salutar no futuro.

Abaixo de 40 pontos. Seu nível de resiliência é baixo, o que pode fazer você sentir-se vítima das circunstâncias. Você realmente precisa trabalhar sua maneira de enfrentar e lidar com crises e adversidades.

Texto extraído e condensado do livro “35 Testes para Avaliar suas Habilidades Profissionais”, de Ernesto Artur Berg.